terça-feira, 24 de agosto de 2021

Réquiem para a Mercearia São Pedro.

 


O ANÚNCIO DE FECHAMENTO DA ACADEMIA BRASILEIRA DAS LETRAS BÊBADAS DEIXA ÓRFÃOS EM TODAS AS ARTES.
POR XICO SÁ

Pois os bares nascem, vivem, parecem eternos a um determinado momento, e morrem. Morrem numa quarta-feira, como escreveu Paulo Mendes Campos, o mais melancólico dos bebedores de uísque da crônica brasileira. E foi justamente nesta quarta, só poderia ser uma quarta de agosto (18), que ficamos sabendo do fim da Mercearia São Pedro, depois de 53 anos de fuá e fuzuê na Vila Madalena, São Paulo. Era um dos bares mais cosmopolitas da cidade. Nas suas mesas, revi conterrâneos e conterrâneas do Cariri com quem não esbarrava havia séculos, brindei com Lia de Itamaracá, encontrei o roqueiro australiano Nick Cave e bebi com o cubano Pedro Juan Gutierrez, só para começo de conversa do meu enxerimento nostálgico.

Cobiçada havia muito tempo pelos barões do mercado imobiliário, a colina da rua Rodésia, especula-se, dará lugar a um prédio de luxo. O mesmo destino de outros tantos templos sagrados nas capitais. Foi-se a época em que nossos botequins duravam mais do que nossos fígados. Agora somos forçados a mudar de estabelecimento. Há quem diga que a Merça ainda terá uma sobrevida até o bate-estaca do novo condomínio, há quem ainda sonhe — algum freguês do bar Esperança — com a manutenção da casa com as portas abertas.

Difícil encontrar no mundo um bar que tenha rendido tantos livros, HQs, discos e filmes como a taberna da família Benuthe. Não à toa, o jornalista e escritor Jotabê Medeiros, o texto mais elegante da imprensa brasileira, sapecou, no site Farofafá: “Como talvez só o Cabaret Voltaire na Zurique dos anos 1910, ou o fictício Rick’s Café de Casablanca (não o real) dos anos 1940, ou o Floridita de Habana Vieja de meados dos anos 1950, ou ainda o CBGB de NYC dos píncaros dos anos 1970, a Mercearia São Pedro da Vila Madalena tem sido, desde 1968, o lugar em São Paulo em que se materializam os anseios de quem é fugitivo das catalogações ou quem procura asilo diplomático contra a padronização cultural”.

Academia brasileira das letras bêbadas, a Merça também era o lugar predileto dos boleiros filósofos, como o doutor Sócrates, o homem da Democracia Corinthiana. Com o craque (colega de mesa redonda no programa “Cartão Verde”) e o jornalista Vladir Lemos, bebíamos às segundas, mesma noite predileta do Mário Bortolotto, sempre no balcão, sob os ares da chapa quente do mestre Antônio.

Às quintas, mantive, sem falhar uma só noite por cinco anos, um encontro com o escritor mato-grossense Joca Reiners Terron e a editora cearense Isabel Santana — havia sido cupido do amor do casal, sob este mesmo teto de zinco quente. Ronaldo Bressane, Ivana Arruda Leite, Marcelino Freire, Adrienne Myrtes, Andrea Del Fuego, entre outras e outros bravos autores, por testemunha do conto que virou romance.

Corta para o refrigerador de picolés, nas proximidades da prateleira de Diabo Verde — desentupidor de pias e ralos. Lá está o Marçal Aquino, em diálogos nada platônicos com Paulo Lins. Ele repete a sua pergunta fatal: “Que horas essa gente escreve?” Faz todo sentido a irônica indagação do homem de “Baixo Esplendor”. Aquino atribui o chiste ao Rubem Fonseca, que não entendia como esse povo que vive nos botequins consegue publicar seus livros. Os mistérios do planeta, cantariam Os Novos Baianos.

Espumas flutuantes, mares de cerveja e histórias, caríssimo garçom França. Um dos últimos lançamentos épicos, pouco antes da pandemia, foi o de “Marrom e amarelo” (Alfaguara), livro de Paulo Scott. Nesta noite, com a produtora Larissa Zylbersztajn, batizamos nossa filha Irene como novíssima frequentadora do estabelecimento. O pastel de carne seca, uma iguaria abençoada da taverna, marcou a celebração ecumênica. O poeta Marcelo Ariel disse trechos de Shakespeare, e a atriz e escritora Morgana Kretzmann benzeu o momento.

Mil e uma noitadas que ficam boiando nas memórias alcoólicas. E é o cronista Paulo Mendes Campos que nos põe mais uma pedra de gelo à guisa de réquiem: “Recordá-los, os bares mortos, é contar a história de uma cidade”.

Em 2018, no aniversário de meio século da Mercearia São Pedro, foi publicado o “Saideira”, o livro dos epitáfios dos ilustres frequentadores. Preocupados com seus próprios fígados, os autores não imaginavam que o bar poderia morrer antes deles. E repare que elenco: Ademir Assunção, André Sant´Anna, Antonio Prata, arrudA, Bruno Brum, Caco Galhardo, Cadão Volpato, Chico Mattoso, Clara Averbuck, Douglas Diegues, Daniel Galera, Fábio Trummer, Fábio Victor , Fabrício Corsaletti, Fernanda Dumbra, Gabriel Bá & Fábio Bá, Marcelo Rubens Paiva, Laerte, Jorge Filholini, Matthew Shirts, Noemi Jaffe, Otto, entre outros & outras.

Nota de última hora. Marcos Benuthe, um dos donos da Merça, cineclubista eterno e maior promotor da literatura brasileira das últimas décadas, sopra aos ouvidos boêmios dos amigos: abrirá as portas da Ria, bar e livraria, nos arredores da mesma vila Madalena. Deus tomara, Evoé, Baco!


sexta-feira, 16 de julho de 2021

Não há democracia com extermínio em massa da população negra.

 

Nota pública da Oxfam Brasil sobre os dados do Anuário de Segurança Pública 2021 que revelam que 78,9% das pessoas mortas pela polícia no ano passado eram negras.

Como nos ensina Elza Soares, “a carne mais barata do mercado é a carne negra”. Também podemos dizer que é a carne mais visada pelas forças policiais do país. Segundo dados divulgados nesta quinta-feira (15/7), a polícia matou um total de 6.416 pessoas no Brasil em 2020 – um recorde. E desse total, 78,9% eram pessoas negras.

Os dados do Anuário de Segurança Pública 2021, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), são a face mais cruel do racismo que está entranhado nas estruturas do Estado brasileiro. Segundo o levantamento, as mortes por policiais aumentaram em 18 das 27 unidades da federação. Dados da nossa pesquisa Nós e as Desigualdades mostram que 84% dos brasileiros acreditam que a cor da pele influencia a decisão de uma abordagem policial. Os dados do levantamento do FBSP corroboram, na prática, essa percepção.

A população negra também é, segundo o levantamento, a maior vítima em outras categorias de mortes violentas intencionais, como homicídio doloso (75,8%), latrocínio (64,3%) e lesão corporal seguida de morte (75,3%).

Levando-se em conta os dados sobre a faixa etária das mortes por intervenção policial, os jovens são os mais atingidos: 44,8% das ocorrências em 2020 atingem quem tem entre 18 e 24 anos.

No Brasil, a população negra é desproporcionalmente impactada pela falta de saneamento básico e de acesso à saúde e à educação, além de ser mais duramente afetada pela fome e desemprego. Os dados do Anuário mostram que essa importante parcela da sociedade, que representa 54% dos brasileiros e brasileiras, é a mais visada pelo aparato de segurança pública. Segurança para quem?

Não há democracia com racismo. Não há democracia com assassinatos em série de pessoas negras.

A Oxfam Brasil se solidariza com todas as famílias que perderam entes queridos devido à violência policial. Vidas negras importam!

Letalidade policial é recorde no país; negros são 78% dos mortos...

 

Mesmo com a pandemia de covid-19 restringindo a movimentação de pessoas, nunca as forças policiais brasileiras mataram tanto quanto em 2020, segundo dados do Anuário de Segurança Pública. A publicação, organizada pelo FBSP (Fórum Brasileiro de Segurança Pública), destaca que os negros foram as maiores vítimas de policiais — correspondem a 78,9% das 6.416 pessoas mortas por policiais no ano passado. O número de mortos por agentes de segurança aumentou em 18 das 27 unidades da federação, revelando um espraiamento da violência policial em todas as regiões do país....
Negros são maiores vítimas
Apesar de serem 56,3% da população brasileira, os negros são vítimas de 78,9% das mortes cometidas por policiais no país. Em sentido oposto, os brancos —que totalizam 42,7% da população — foram vítimas de 20,9% das mortes. Samira aponta que, além do racismo institucional presente nas corporações policiais, é preciso olhar esses índices como mais uma demonstração do racismo estrutural e da desigualdade racial no país, já que a população negra também é vulnerabilizada em uma série de outras questões, como acesso à renda e à moradia digna. "É impossível não falarmos de racismo estrutural e desigualdade racial quando olhamos os dados de violência no Brasil....

sábado, 12 de junho de 2021

Porque complexo de vira-lata?

            Arnaldo Bispo do Rosário

Porque complexo de vira-lata?

Esse pensamento só se dá porque, como na música "Querelas do Brasil", de Aldir Blanc e Mauricio Tapajos, eternizada na voz de Elis Regina, "O Brazil não conhece o Brasil / O Brasil nunca foi ao Brazil."
Não obstante a sutileza da letra, que coloca Brasil com "s" e Brazil com "z", referido-se ao estrangeiro, que não nos conhece e nem nos merece, eu agora refiro-me ao próprio Povo Brasileiro, que, por desconhecimento histórico, se desmerece e também o Brasil. Pois bem. Para lastrear meu pensamento, peço licença para fazer algumas comparações gerais do Brasil com os EUA desde os tempos coloniais.
A colonização do que hoje chamamos EUA, data do começo do século XVII, com a fundação da colônia da Virgínia, em 1607. Nas Treze Colônias, a colonização se deu em dois modelos: no Norte, a colonização de povoamento, baseado na agricultura familiar, no trabalho livre e na manufatura; já no Sul, a exemplo do que ocorreu no Brasil, se deu a colonização de exploração, baseada no "plantation", basicamente monocultura , latifúndio e trabalho escravo africano.
Ao contrário do colonizador Espanhol e Português, que eram extremamente controladores e vigilantes, os Ingleses deixaram as Treze Colônias -que iriam formar os EUA-, à vontade durante mais de cem anos, e mais à vontade ainda ficaram as Colônias do Norte, por ter clima temperado, portanto, com características geomorfoclimaticas da Europa, assim, o que produziam era facilmente encotrado também na Europa. A mão de obra era preponderante o trabalho livre e familiar, e as atividades econômicas de destaque eram a manufatura, a produção de navios e a pesca, e o mercado triangular era importante para a economia local, portanto, já faziam comércio com três Continentes. Esta leniência que a Inglaterra tinha com suas Colonias levou o nome de "Negligência Salutar", claro, salutar para os colonos que nadavam de braçada, trabalhando e acumulado para si e suas famílias, portanto, ao contrário do que se deu por aqui, o dinheiro ganho ficava nas colônias.
A Inglaterra só veio a ter um olhar mais vigilante para as Treze Colônias, em função da Guerra dos Sete Anos que teve com a França, conflito que ocorrereu entre 1756 e 1763 e, embora a Inglaterra tenha saído vitoriosa, ficou com suas finanças comprometidas e, inclusive antes do término da guerra, a partir de 1760, resolveu arrochar as Treze Colônias, com com taxas e altos impostos, a exemplo da Lei do Açúcar, Lei do Selo (sensura disfarçada para que o povo não soubesse das ideias iluministas), Lei da Hospedagem, enfim.
Tudo isso desagradou os colonos, que na festa do Chá de Boston, se disfarçaram de índios, invadiram um navio Inglês e jogaram ao mar toda a mercadoria com destino à Inglaterra. Depois desse episódio e demais que não não cabem aqui narrar, em 4 de julho de 1776, os colonos resolveram declarar a independência, que culminou com Revolução Americana, conflito que durou seis anos. A guerra foi tão sangrenta e tão longa que Jorge Washington, comandante das tropas formadas por fazendeiros, ferreiros, comerciantes, enfim, contra o Exército Inglês, traquejado no campo de batalha, escreveu no seu diário que se a ajuda francesa não viesse em duas semanas, eles perderian a guerra. Para a sorte deles, a ajuda da França veio, trazendo consigo também a Espanha. Essa decisão da França, de apoiar os colonos americanos enfraqueceu a economia francesa e foi um dos fatores para a Revolução Francesa de 1789, mas isso é tema para outro momento.
Para finalizar a minha singela intervenção, pontuo que a nossa colonização, ao contrário da que se deu nas Treze Colônias, foi somente de exploração, com as características que já descrevi acima, tendo uma vigilância e controle ferrenhos, além do chamado "Pacto Colonial" onde só podíamos comercializar com Portugal a preços baixíssimos e, para acabar de nos ferrar, fomos proibidos por Marques de Pombal de produzir manufaturas, e, por fim, a assinatura por D. João VI, em 1810, dos Tratados de Aliança e Amizade, que liquidou a soberania e a economia do Brasil e de Portugal, também, onde os produtos ingleses sofriam uma taxação de 15%, ou seja, abaixo da taxação dos produtos portugueses, que pagavam 16%, bem abaixo da dos demais países, que pagavam 24% em nossas alfândegas.
Some-se a isso, as nossas revoltas separatistas, encabeçadas pela elite escravagista, em regra não havia adesão popular, e quando houve, a exemplo, da Conjuração Baiana ou Revolta dos Alfaiates, quando se tocava na questão dos escravos, a elite deixava o povo à própria sorte, sem contar que jamais tivemos uma França e uma Espanha do nosso lado.
Não escrevo isso para que deitemos em berço esplêndido, ou para ficarmos como um cão sarnento lambendo feridas, porque a história foi de certa forma vilã com a gente (ela é assim), mas para que possamos refletir e, de cabeça erguida, pegarmos o timão dessa grande e poderosa nave chamada Brasil e fazermos jus à memória dos nossos antepassados (do que excluo a elite de ontem e de hoje), que jamais perderam a esperança e lutaram incansavelmente para nos trazer até aqui, sabendo que é ingenuidade pensar que as nações desenvolvidas querem o nosso bem.
Amigo é a puta que pariu!

Migalhas do bispo 12/06/2021.

Itamar Assumpção por Anelis Assumpção.

 



Era dia dos namorados. a essa altura, eu o visitava todos os dias. acamado, sem falar, cada dia ia perdendo um desejo. chorava muito. acenava pra que lhes colocássemos os óculos e ligássemos a tv para poder chorar sem que víssemos. as lágrimas sobre a pele do tom mais escuro deixavam um rastro de sal seco. não comia mais, não bebia água. a vida foi saindo. aquilo doía demais.
era dia dos namorados e levei uma bromélia pra ele. deixei na sala e segurando sua mão disse pra que não tivesse medo. ali prometi que cuidaria de nós. que sua jornada seria incrível noutro plano sem dor e que eu estava certa de que um panteão de pretos velhos, reis e rainhas de africas ancestrais estavam a lhe esperar. via a imagem de um trono e muitos deles envolta. o trono em que ele se sentaria e seria levado para um jardim para descansar ao sol desse corpo carma encarnado na terra. deixei essa imagem no silêncio de nosso embargo. pedi que não tivesse medo. me despedi de minha mãe, e fui pra casa amamentar Rubi.
todo o caminho da penha até pompéia, chorei.
quando cheguei em casa, o telefone fixo tocou. era minha mãe me dizendo: fica em paz minha filha, seu pai te esperou sair para sair tbm. o papai já foi - me disse com choro calmo.
eles ficaram sozinhos para a reflexão deste último dia dos namorados em que ela lavaria seu corpo, perfumaria e colocaria sua roupa predileta. ela o encheu de orquídeas por todo o corpo como um vaso fértil. ele era seu xaxim de sorte e revés.
desde lá, há dezessete anos, não tem um único dia em que eu não pense nele. e tento cumprir minha promessa de cuidar de nós com a esperança daquela imagem de luz, onde imagino ele a nos vigiar, leve, tocando violão num campo neon.
Itamar Assumpção
13/09/1949 - 12/06/2003
(Anelis Assumpção)

quinta-feira, 10 de junho de 2021

RACISMO e ÓDIO em sua forma mais BRUTA.

 


Kathlen Romeu: mulher, mãe, negra e mais uma vítima do Estado   Policial .


“A deputada Andréia de Jesus acaba de sofrer um ataque dos mais vis que já presenciei em 6 anos trabalhando com assessoria parlamentar. Ela pediu um minuto de silêncio pela jovem Kehtlen Romeu, mulher negra, gestante, que tombou com uma bala na cabeça em mais uma dessas desastrosas operações policiais no Rio.  Ela ainda disse que estão matando o futuro desse país, em referência à jovem. 

Tivemos que ouvir de dois deputados da direita que: a) a polícia só mata quem merece morrer; b) que a deputada, mulher negra, advogada popular, "precisava estudar" , que c) os "cidadãos de bem" concordam com toda a atividade policial e que d) esses jovens só seriam o futuro de uma pátria criminosa.

Atacam a honra da deputada e a memória de Kehtlen e de outros tantos jovens negros que tombaram em operações policiais sem piscar.


Tudo isso foi dito com a baba branca de ódio habitual no canto da boca, com os olhos injetados e com a conhecida gestualística violenta, de quem quer ter razão pela força do grito.

O fascismo não suporta ouvir a fala de uma mulher preta sem o tradicional esperneio, mas os limites da atividade parlamentar aqui, foram ultrapassados, e muito. 

Mandar uma mulher negra, deputada, advogada popular estudar, não é apenas arrogância pura e simples: é racismo. 

Há tempos que não escrevo por aqui, mas a indignação é muita. Repassem, façam ressoar. Não podemos compactuar com esse tipo de atitude em uma democracia, ainda que imperfeita, como a nossa.” - Pedro Munhoz, assessor da deputada.



quinta-feira, 26 de novembro de 2020

Morte e Vida Severina em Desenho Animado (Original)

Morte e Vida Severina mostra a saga de um retirante nordestino que, como tantos brasileiros, viaja do sertão ao litoral em busca de melhores condições de vida. A história de Severino, contada por meio de versos na obra-prima de João Cabral de Melo Neto, foi adaptada para os quadrinhos pelo cartunista Miguel Falcão e é retratada nesta animação 3D. O desenho animado preserva o texto original e, fiel à aspereza do texto e aos traços dos quadrinhos, dá vida aos personagens do auto de natal pernambucano que foi publicado em 1956.



Ficha técnica
Ano de produção: 2010
Duração: 52 min.
País: Brasil
Direção: Afonso Serpa
Ilustrações/HQ: Miguel Falcão
Adaptação: obra homônima de João Cabral
Voz: Gero Camilo
Trilha sonora: Lucas Santtana
Produção: TV Escola / OZI / FUNDAJ – Fundação Joaquim Nabuco
Público-alvo: Aluno
Faixa etária: 16-18
Área temática: Diversidade Cultural, Geografia, LiteraturaMorte e Vida Severina (em desenho animado)

“…E não há melhor resposta
que o espetáculo da vida:
vê-la desfiar seu fio,
que também se chama vida,
ver a fábrica que ela mesma,
teimosamente, se fabrica,
vê-la brotar como há pouco
em nova vida explodida;
mesmo quando é assim pequena
a explosão, como a ocorrida;
mesmo quando é uma explosão
como a de há pouco, franzina;
mesmo quando é a explosão
de uma vida severina.”
– João Cabral de Melo Neto, trecho “Morte e Vida Severina”. (1967)